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26/02/2013 - Inefinépcia III: Hora da Decisão

*Por Roberto Carlos Mayer

 

É com absoluta amargura que me vejo obrigado a retomar o tema da gestão da inovação no nosso país pela terceira vez. Já faz um ano que inventei a palavra do título: ‘inefinépcia’ não existe na língua portuguesa e, sinceramente, espero que a situação aqui descrita não perdure no tempo de forma a que os filologistas venham a considerar sequer a sua inclusão na língua ‘oficial’.

Cunhei a palavra em questão para alertar para o fato de que no primeiro ano da atual gestão federal, houve uma paralisação do processo de subsídio à inovação empresarial, gestado na era FHC, e implementado na era Lula.

No final de 2012, voltei ao tema para constatar que passado praticamente mais um ano, a situação continuava a mesma.

E retorno ao assunto pela terceira vez para constatar que não apenas continuamos na mesma situação prática (continua a não haver novas chamadas de subsídio à inovação empresarial em andamento), mas os contornos do problema estão evoluindo para um paradoxo que terá consequências das mais nefastas.

De um lado da curva, o Governo Federal reconheceu as teses que defendemos há muitos anos, quando ao lançar o Plano TI Maior, considerou a introdução de inovações pelas nossas empresas como um dos fatores críticos do sucesso do país. Lançado em agosto de 2012, o Plano TI Maior prevê a aplicação de quase meio bilhão de reais entre 2012 e 2014, exatamente para essa finalidade. O primeiro meio ano da apresentação do plano se completa justamente agora, após o Carnaval… e nenhuma das verbas previstas foi sequer transformada numa proposta de edital (ou seja, mesmo sendo otimista, as primeiras verbas só poderiam ser liberadas no segundo semestre de 2013).

Do outro lado da curva, a execução dos últimos contratos entre a Finep (órgão responsável pela gestão dos recursos para inovação – seu novo ‘nome’, conforme está no site www.finep.gov.br é “Agência Brasileira da Inovação”) e as empresas vencedoras das chamadas de 2009 e 2010, que já descrevi como ‘kafkiana’ em artigo anterior, continua a se deteriorar: soubemos de casos nos quais, sob alegações que no máximo posso chamar de ‘quaisquer’, estes contratos deixaram de ser honrados pela Finep, colocando as empresas contratantes em situação econômica das mais difíceis, sendo obrigadas a desistir de projetos inovadores e demitir o seu bem mais valioso (os recursos humanos envolvidos, já treinados). Há empresas que optaram por acionar a Finep juridicamente, p.ex. com denúncias junto ao Ministério Público. Mas, sabemos que mesmo que o Governo seja condenado na justiça, ele recorre sistematicamente (aliás, essa é a principal causa do ‘afogamento’ dos tribunais superiores), mesmo quando não tem razão, para ‘adiar as despesas’.

Esses dois extremos da curva podem ser comparados a um equilibrista, cujos pés de apoio se encontram em posições cada vez mais distantes: é só uma questão de avaliar dentro de quanto tempo ele vai cair – não é possível se sustentar nessa posição por tempo indeterminado.

Mas, se o nosso ‘equilibrista’ cair, as consequencias negativas se acumularão. Em primeiro lugar, as empresas brasileiras ficarão em desvantagem no jogo global da inovação (que está sendo jogado com sucesso por países economicamente muito menores que o Brasil).

Em segundo lugar, os melhores empreendedores acabarão optando por empreender em países onde as condições são mais favoráveis.

Em terceiro lugar, as entidades empresariais brasileiras acabarão incentivando as empresas a participar de processos semelhantes em outros países (onde a demanda pela nossa ‘criatividade’ e a disponibilidade de recursos é maior), por meio de convênios internacionais.

Em quarto lugar, o próprio sucesso do Plano TI Maior estará sendo colocado em xeque: o diagnóstico que ele faz e as soluções propostas têm a melhor qualidade e intenções. Porém, se a execução padece deste tipo de inação, os resultados serão pífios.

Como já afirmamos anteriormente, é indispensável que a execução desses programas, de agora em diante, seja eficaz e eficiente, não apenas para desfazer sua imagem negativa, mas para que os objetivos do Plano TI Maior possam ser alcançados.

Mas, todos os sinais emitidos por meio das ações concretas na gestão do processo da inovação empresarial desde janeiro de 2011 mostram que o tamanho ou o peso da decisão envolvida supera a disposição ou a capacidade dos atores do processo.

A esta altura dos acontecimentos, não dá para acitar mais justificativas (que já foram usadas) como a ‘reformulação’ de órgãos ou projetos em ‘início de mandato’, o ‘excesso de projetos’ apresentados em 2010, ou qualquer outra justificativa retórica. Neste momento, que chamamos de ‘hora da decisão’, esperamos que a cúpula do Governo Federal tenha a coragem e disposição de intervir naquilo que não estão funcionando como devia.

Esta situação está gerando prejuízos não apenas para as empresas, mas para toda a sociedade brasileira, condenada pelas atitudes a ser cada vez mais dependente da inovação gerada e financiada no Exterior (o que contradiz o discurso oficial, para deixar claro o paradoxo que prometi descrever acima).

 

*Roberto Carlos Mayer (rocmayer@mbi.com.br) é diretor da MBI (www.mbi.com.br), vice-presidente de Relações Públicas da Assespro Nacional e presidente da ALETI (Federação das Entidades de TI da América Latina, Caribe, Portugal e Espanha).

 

  

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