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12/09/2011 - Quando a TI passa a ganhar voz: a criação da Assespro

Por Paulo C.A. Benetti (co-fundador)*

O mundo era totalmente diferente e estranho nas Terras Baixas. Estávamos acostumados à nossa simplicidade, e o fato de sermos a oitava economia do mundo já nos bastava. Lembram os sábios da época que países como a China, Coréia do Sul, Irlanda, Chile e México estavam atrás do Brasil, isto é, Terras Baixas.

A população não precisava votar. Havia uma dinastia verde, que nada tem a ver com sustentabilidade, que dominava o país e o mundo seguia. A economia estava baseada na agricultura e venda de commodities (esta palavra só foi inventada depois), estava indo bem e os salários aumentando progressivamente. Economicamente o país ia bem. Infelizmente, esta história iria se repetir no futuro, mas aí sem a dinastia verde. Mas isto é tema para os historiadores futuros.

No mundo dos negócios a vida transcorria sem muitas atribulações. Existia um sistema de preços controlados, era a KGB. Ninguém em Terras Baixas tinha mais força do que os agentes desta KGB, isto é, do departamento que controlava preços. Ai de quem quisesse aumentar o aluguel. Um simples aluguel! Imagine se quisesse aumentar o preço de uma esponja? Não era bom perturbar a tranquilidade das donas-de-casa.

No entanto, nem tudo era assim. Sabemos que sempre há grupos marginais, grupos novos, grupos que ainda não estão “inseridos no contexto”. Lembram desta expressão? Ela era típica da intelectualidade de Terras Baixas.

Mas lá estavam os “fora da lei”. Informáticos eram os performáticos da época. Na realidade, a palavra informática nem era usada. Os “fora da lei” ainda usavam vocábulos muito estranhos para hoje: processamento de dados; cartões perfurados; entrada de dados; programação assembler, COBOL etc. Na verdade, tudo muito rudimentar.

Assim, por não entender o que este pessoal fazia e por ter pouca expressão na economia, a KGB das Terras Baixas as deixou de lado. Isto não afetava nem um pouco a economia e muito menos a inflação.

Esta área era dominada por empresas americanas: IBM e Burroughs. Era divertido ver uma discussão dos ibemistas contra os burroughistas. Era como as atuais discussões sobre Apple e Microsoft.

As grandes empresas estavam montando os primeiros centros de processamentos de dados para fazer folhas de pagamento; controle de estoques, emissão de notas ficais; coisas simples, bem comuns. Algumas preferiam terceirizar com os birôs de processamento de dados.

E, neste mundo de oportunidades, começaram a proliferar os “fora da lei”. Alugavam equipamentos tipo mainframes para depois vender horas dos mesmos para as empresas. Outros preferiam coisas mais simples, de menor custo, alugavam equipamentos de perfuração de cartões e contratavam um bando de mulheres para ficar “datilografando” os cartões. Haviam ainda os mais loucos, que desenvolviam softwares padronizados, e outros que faziam de acordo com o gosto do cliente. Claro, não tinham muito como precificar e nem como comercializar.

O mercado tinha uma grande empresa, que trabalhava principalmente para a Caixa Econômica Federal, e pegava os grandes serviços principalmente do governo. Existiam algumas poucas empresas de softwares, outras que alugavam equipamentos, e um montão de empresas que perfuravam cartões. Estas todas de pequeno porte. Muito pequenas, porém numerosas.

Este mercado, por não estar sob a mira da KGB, era totalmente caótico. Os preços variavam muito, mas era na área de perfuração de cartões ou entrada de dados que muitas empresas conseguiam manter um certo volume de trabalho, e com isto garantir o pão e a manteiga de todos os dias.

Os maiores concorrentes destas empresas eram as estatais e um pouco das empresas multinacionais com os CPDs. Certa vez, uma empresa de governo contratou de uma só vez 600 digitadoras – eram assim chamadas as datilógrafas de cartões perfurados e entradas de dados. E, todas estatais e áreas de governo grandes contratavam profissionais aos montes. Não havia obrigatoriedade de concursos. Logo...

Como sempre o dinheiro público pagava tudo, contratavam muita gente que ficava ociosa sazonalmente. Com isto, passaram a vender serviços para o mercado. Uma competição desonesta, pois jogavam os preços lá para baixo. Eram estranhas, pois nem notas fiscais emitiam, apenas recibos. E, com isto produziram uma loucura no mercado, já que concorriam com quem tinha que, ao final do mês, pagar os empregados, impostos, aluguéis, taxas, e mais uma série de coisas.

Os preços para o cartão perfurados e entrada de dados chegaram a tal ponto que nem os custos diretos eles cobriam. O mercado estava completamente louco. Os pequenos e médios empresários não sabiam mais o que fazer, estavam falindo.

Um dia, no Rio de Janeiro, uma das empresas propôs uma reunião para discutir o tema dos preços. Pensava-se que seria fácil resolver. Que nada! Havia muita coisa em jogo. Mas um ponto ficou claro: quase ninguém sabia precificar os serviços. Esses eram realmente os primórdios dos serviços de informática.

Não se chegou a nenhuma conclusão. E, para não ocupar a todos empresários decidiu-se formar um grupo de pessoas que iriam preparar uma proposta para todo o grupo. Foram então escolhidas: Marcio Costa; Nelson Ishikawa; Paulo Benetti; e possivelmente outro que a memória não ajuda lembrar.

No dia seguinte, lá estavam eles discutindo medidas que poderiam ser tomadas para acabar com a competição das grandes empresas (estatais ou não) contra os empresários de processamento de dados.

Várias medidas foram anotadas. No entanto, em certo momento, Benetti avisou: “Nada disto vai dar certo. Somos pequenos diante deste grupo. A única forma que temos é nos unir e montar uma associação capaz de defender nossos interesses”. A mesa permaneceu em silêncio por quase um minuto. Perplexidade! Até que Marcio Costa disse: “é isto mesmo que temos que fazer!”.

A partir daquele momento todos largaram as discussões contra os gigantes e começaram a trabalhar em como montar uma associação.

Outra reunião foi convocada e, embora vendo que o problema não seria resolvido de imediato, foi decidido que seria criada uma entidade de classe, de nome: ASSociação das Empresas de Serviços de PROcesamento de dados – ASSESPRO. Rio de Janeiro, julho de 2011.

*Paulo C.A. Benetti é co-fundador da Assespro, Associação das empresas brasileiras de tecnologia da informação.

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