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26/04/2011 - Desindustrialização, China e Inovação no Brasil - Algumas Ideias para o Debate sobre a Competitividade da Empresa Brasileira

Artigo desenvolvido por Flávio Grynszpan em colaboração para Assespro, Associação Brasileira das Empresas de TI

Introdução– O Brasil apresenta uma economia com altas taxas de juros, impostos excessivos e câmbio desfavorável, que torna muito caro o produto e serviço produzido no País. Este quadro não mudará no prazo curto, o que nos obriga encontrar outras saídas para concorrer internacionalmente.

Há três assuntos que têm um impacto ainda maior na nossa capacidade de competir: 1) o fator "China", que invade o nosso mercado interno e nos tira de mercados já conquistados. 2) a dificuldade do nosso setor privado de incorporar inovação em produtos e serviços, 3) a necessidade de pensar estrategicamente, para priorizar as áreas onde teremos capacidade de competir no mercado mundial.

Peço que vejam o meu blog (www.inovacaonobrasil.wordpress.com) onde detalho estes assuntos.

A China no futuro– As prioridades chinesas para os próximos cinco anos estarão centradas em sete áreas: Fontes energéticas alternativas, Biotecnologia, Tecnologia da informação de nova geração, Equipamentos industriais de alta tecnologia, Materiais avançados, Carros movidos a combustíveis alternativos, Tecnologias não agressivas ao ambiente para poupar energia 

O Governo deve investir até US$ 300 bilhões por ano nestas áreas, para elevar a contribuição delas ao PIB chinês dos atuais 2% para 8% em 2015 e 15% até 2020. Em 2011 a China assume o segundo lugar mundial em gastos com P&D, ultrapassando o Japão e cresce a mais de 10% ao ano

A China vai se tornar um dos líderes mundiais em inúmeros setores de alta tecnologia, apoiados no tripé: 1)estratégia bem focada em setores tecnológicos de futuro; 2)massivos investimentos em P&D;3) Política de Inovação Nativa ( criada em 2006), que usa o poder de compra do Estado para viabilizar os produtos e serviços e criar as empresas líderes que vão competir no mercado mundial. Uma lição para o Brasil!

A competitividade internacional do Brasil – Acompanho as patentes no Escritório de Patentes dos Estados Unidos para avaliar comparativamente a nossa capacidade inovadora no mercado internacional. Vejam o resultado dos BRICs, nossos concorrentes diretos:

a) nos últimos cinco anos, a Índia obteve anualmente cerca de 3,5 vezes mais patentes que nós, enquanto que a Rússia se mantém em 0,75 vezes.

b) a China patenteava 6,5 vezes mais que o Brasil em 2006 e, desde então vem crescendo, chegando em 2010 a mais de 20 vezes que o total brasileiro. Precisamos entender este acelerado movimento pró-inovação na China, como isto vai se traduzir em novas tecnologias, novos produtos, novas empresas.

Uma Proposta para a Estratégia de Inovação Brasileira

1-O primeiro passo: a necessidade de um novo diagnóstico– Concordo com A Folha de São Paulo, que em recente editorial “Inovação Estagnada”  concluiu: “é preciso que o Governo e o setor de C&T entendam porque o diagnóstico de uma década atrás e as políticas adotadas então foram incapazes de engendrar a cura da atrofia inovadora do País”. Proponho que façamos uma avaliação dos resultados concretos que tivemos com as atuais políticas, sem “ tapar o sol com a peneira”:

a) sem apontar os culpados de sempre: juros altos, câmbio desfavorável, custo Brasil, subsídios chineses.

b) sem a desculpa que os programas de estímulo são recentes e ainda não podemos avaliá-los.  Tanto a Lei da Inovação quanto a Subvenção Econômica são anteriores à lei chinesa de Inovação Nativa (de 2006).

c) sem conclusões simplistas como “o problema é a insegurança jurídica ou que a lei da Inovação não incentiva as empresas de lucro presumido”. Mesmo as empresas que são tributadas pelo lucro real também não estão aumentando suas inovações.

2-Estimular a inovação do setor privado pelo lado da demanda.
O Governo aprovou a lei 12349 em 15/12/2010, que permite ao Poder Público dar uma margem de preferência de até 25% a produtos com inovação tecnológica feito no País. Era o que precisávamos.

Colocando em miúdos, minha proposta é: “Usar o Poder de Compra do Setor Público (federal, estadual e município) para Promover a Inovação no Setor Privado, através da Lei 12349”.

3-Fazer escolhas estratégicas, com avaliação dos resultados.
Estratégia significa fazer escolhas. Podemos aproveitar o atual momento de graça (como disse o Prof. Antonio Castro) e dar prioridade a um conjunto limitado de setores, nos quais o País pode dar um salto a médio e longo prazos. A chamada “joia da coroa” é o pré-sal. Castro propõe usar o pré-sal para potencializar e transferir conhecimento para diversos setores, como a indústria eletrônica, mecânica, robótica e tecnologia do conhecimento. Sugere sair fora da cadeia do tradicional (onde os chineses levam vantagem) e abrir espaço para soluções nacionais em áreas como controle remoto, automação, novos materiais, monitoramento de vazamentos, nanotecnologia e depois espalhar  a tecnologia para muitos outros setores industriais e de serviço. Só a escolha das prioridades não garante que vamos conseguir traduzir em empresas competidoras. Na China há uma ação continuada do Governo em todas as fases, até que a empresa alcance o mercado mundial. Nós por aqui temos os instrumentos, no BNDES e na FINEP, mas falta um acompanhamento mais de perto. Lembro o setor de automação bancária, onde o Brasil é líder há tempos. Mas ainda não conseguimos traduzir esta liderança setorial em empresas competidoras no mercado mundial (Itautec e Bematech são exceções).

Considerações Finais – A Presidente Dilma Rousseff deve ter visto, na sua viagem, como a China conseguiu, em pouco tempo, incorporar inovações em muitas de suas empresas e fazê-las competidoras internacionais nos setores de tecnologia avançada, usando a Política de Inovação Nativa, que é baseada no poder de compra do estado chinês. Nós temos a lei 12349, que nos permite fazer algo similar. Que tal seguir este modelo de sucesso e promover um salto na inovação privada nacional?

A Fiesp sempre enfrentou o avanço chinês por meio de mecanismos de defesa comercial. Recentemente, concluiu que o problema não estava nos subsídios chineses, mas na nossa falta de estratégia. Vai, agora, elaborar uma proposta para o setor industrial competir globalmente. Proponho que a Assespro lidere um movimento similar para o setor de Software.

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